sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Senegalês é assassinado em Caxias do Sul
Jornal Pioneiro
Homicídio26/02/2016 | 08h48
Senegalês é assassinado em Caxias do Sul
Cheikh Tidiane foi morto a tiros
Rádio Gaúcha Serra
Um senegalês de 28 anos foi morto a tiros na noite de quinta-feira no interior de Caxias do Sul. A vítima é Cheikh Tidiane. As informações são da Gaúcha Serra.
Conforme o registro policial, Tidiane trabalhava em uma granja na localidade de São João da 4ª Légua, que pertence ao bairro de Galópolis. A suspeita é de que o crime tenha sido motivado por desentendimento de Tidiane e um colega de trabalho. O suspeito do crime fugiu.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Projeto concede benefícios fiscais a empresa que incentiva trabalhador a concluir estudos
No início deste ano, a Comissão de Finanças e Tributação deve começar a análise de projeto (PL 1431/15) que concede benefícios fiscais às empresas que promovam aumento salarial para o trabalhador que terminar o curso fundamental ou médio. O projeto foi aprovado no final do ano passado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
Como incentivo à progressão educacional dos funcionários, a empresa terá abatimento no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido se conceder aumento salarial de 5% do salário mínimo ao funcionário que obtiver o certificado de conclusão do curso de nível fundamental ou médio, durante o período em que estiver empregado.
O abatimento previsto é de 20% superior ao valor total gasto pela empresa com o aumento salarial previsto na proposta. Podem ser beneficiados os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos e o aumento de 5% do salário mínimo é para cada certificado apresentado.
O autor da proposta, Damião Feliciano (PDT-PB), afirma que o combate ao analfabetismo passa pela integração entre o setor público e as empresas, que devem ser vistas como um dos principais instrumentos de incentivo à educação. O relator da proposta, Marcos Reategui (PSC-AP), citou dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgados em 2013, que afirmam que o brasileiro fica, em média, 7,2 anos na escola.
"Esse número é muito pequeno, se nós considerarmos que aqui ao lado, na Bolívia, se fica 9,2 anos, no Chile, 9,8 anos, nos Estados Unidos, de 12 até 13, quase 14 anos na escola. Então, veja que a escolaridade do brasileiro está deixando muito a desejar. Ou seja, a renúncia fiscal está mais do que justificada porque está sendo usada num bem público, que é a educação."
Na Câmara, o consultor legislativo Adriano da Nóbrega afirma que, do ponto de vista social, o projeto tem méritos porque busca capacitar os empregados de baixa renda. Mas do ponto de vista econômico, a história muda.
"Me parece que o projeto chega num momento ruim. Porque, em princípio, nós agora estamos num período de ajustes de contas em que qualquer benefício fiscal que seja concedido vai onerar ainda mais o Orçamento."
O projeto tramita em caráter conclusivo e, após aprovação na Comissão de Finanças e Tributação, segue para a Comissão de Constituição e Justiça.
RADIOAGÊNCIA
Reportagem - Luiz Cláudio Canuto
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
AGENDA NEGRA DE MARÇO
01 - Morre Mestre Valentim (Valentim da Fonseca e Silva), Artista e urbanista autodidata Gênio do barroco brasileiro. Homem livre em sociedade escravista que trabalhou como escultor, projetista e urbanista , traduzindo para o riscado da cidade as demandas de uma sociedade que se modernizava. Construiu uma cidade barroca com espaços de sociabilidade para a população negra carioca (escrava e livre) . Seu legado é a própria cidade. Escultor, entalhador, ourives e arquiteto, na cidade do Rio de Janeiro, em 1813.
02 – Ocorre o primeiro carnaval com a presença das Escolas de Samba, no Rio de Janeiro, em 1935
06 – Independência de Gana (Costa de Ouro), o primeiro país africano a tornar-se independente, tendo como mentor o líder Kwuame Nkrumah, em 1957
07 – Grande marcha pelos direitos civis, de Selma a Montgomery, liderada por Martin Luther King Júnior, no Alabama, EUA, em 1963
08 – Dia Internacional da Mulher
12 – Independência das Ilhas Maurício, em 1968.
14 – Nasce Antonio Frederico de Castro Alves, poeta e abolicionista, na Fazenda Cabaceiras, em Curralinho, Bahia, no ano de 1847
14 – Nasce Abdias do Nascimento, poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras, ex- senador, criador do Teatro Experimental do Negro (TEN), um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU), na cidade de Franca, São Paulo, no ano de 1914
14 – Morre Antonio de Noto, mais conhecido como “Antonio Etíope”, em virtude de sua origem negra, venerado no Brasil como Santo Antonio de Categeró, em 1549
18 - Lançado o jornal “A voz da Raça”, órgão oficial da Frente Negra Brasileira, na cidade de São Paulo, em 1933
19 – Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão do Espírito Santo, em 1849
20 - Em Sergipe, negros livres e libertos foram proibidos de frequentar escolas públicas pelo governo, em 1838, continuando o estabelecido pela Constituição do Império de 1824.
21 – Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial instituído pela ONU, em memória das vítimas do massacre de Shaperville, na África do Sul, no ano de 1960,. em decorrência dos acontecimentos, onde a polícia disparou sem aviso sobre a multidão que se manifestava pacificamente, matando 69 e ferindo 186.
21 – Zumbi dos Palmares é incluído na galeria dos Heróis Nacionais, em 1997
25 – “Abolição” da escravatura, no Estado do Ceará, em Baturité, no ano de 1883
25 – Nasce Aristides Barbosa, jornalista, educador e ex-militante da Frente Negra Brasileira, em 1920
28 – Independência de Serra Leoa, em 1961.
30 – Conquista do direito de voto pelos homens afro-americanos nos Estados Unidos, em 1870
Pesquisa de Adomair O. Ogunbiyi - 3 de março de 2008
Hoje na História, 21 de fevereiro de 1965 Malcolm X é assassinado no Harlem
No dia 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X, líder da luta contra a opressão dos negros nos Estados Unidos, é assassinado no Harlem.
Malcolm-X
Malcolm Little nasceu em 19 de maio de 1925 no Nebraska, Estados Unidos. Ele ainda era criança quando o pai, pastor batista, foi assassinado por brancos, provavelmente membros da Ku Klux Klan. Órfão (a mãe estava internada num hospital psiquiátrico), Malcolm e seus irmãos foram entregues a orfanatos.
Malcolm e uma irmã foram morar em Boston, onde sobreviveram com trabalhos temporários. Depois, ele mudou-se para o Harlem, bairro de maioria negra em Nova York. Escapou do serviço militar por fingir-se paranóico. Sua carreira no país dos brancos parecia programada: empregos temporários, pequenos delitos, prisão.
Em 1946, foi para a cadeia por roubo e receptação. Justamente no isolamento da penitenciária, ocorreu a conversão que transformaria o profundo conhecedor dos becos de Nova York num dos mais carismáticos líderes negros dos Estados Unidos. Atrás das grades, ele entrou em contato com os ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da "Nação do Islã".
Malcolm estudou o Alcorão e outros escritos filosóficos e ao deixar a prisão em 1952 passou a dedicar-se à organização do Movimento dos Muçulmanos Negros. Trocou seu sobrenome de escravo "Little" por "X", dizendo que "o X significa a rejeição do nome de escravo e ausência de um nome africano para ocupar o seu lugar".
Elijah Muhammed considerava-se eleito por Deus para livrar os negros americanos da opressão dos brancos. Malcolm X, seu principal missionário, transformou a mesquita do Harlem em centro do movimento.
Movimento muçulmano
A luta dos negros americanos por igualdade de direitos intensificava-se desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1960, o movimento sofreu uma divisão: enquanto Martin Luther King apostava na chamada "resistência pacífica", os muçulmanos liderados por Elijah Mohammed e Malcolm X defendiam a separação das raças, a independência econômica e um Estado autônomo para os negros.
A principal reivindicação de Malcolm X era a melhoria da qualidade de vida para os negros na América. Pelo menos num ponto seu programa diferia do de outros grupos: Malcolm X argumentava que eles tendiam a esperar mais mil anos para alcançarem seus objetivos. "Enquanto nós, muçulmanos, não estamos dispostos a esperar nem mais cem anos. Queremos a separação total entre escravos e senhores de escravos."
Segundo Erik Lincoln, professor de Filosofia Social da Universidade de Atlanta e autor do livro The Black Muslims in America, o movimento muçulmano negro foi, essencialmente, um movimento de protesto social que se comportava mais ou menos como uma seita. Seus adeptos eram principalmente negros da classe mais baixa, que tentavam encontrar seu caminho e seu lugar na sociedade norte-americana. "Talvez, eles, de fato, pretendessem construir sua própria sociedade - uma nação negra de islâmicos", diz.
O projeto muçulmano não se tornou realidade, mas foi elogiado até por um de seus mais severos críticos, o sociólogo James Baldwin. Segundo ele, "Mohammed conseguiu realizar o que diversas gerações de assistentes sociais, comitês, resoluções, projetos habitacionais e parques infantis não haviam logrado: curar e recuperar alcoólatras e vagabundos, redimir egressos de penitenciárias e impedi-los de voltar".
Assassinato
Com o passar do tempo, Malcolm foi ficando cada vez mais famoso. Começou a se distanciar do clichê de que todos os brancos são "endemoniados" e não queria continuar mantendo a fachada de movimento puramente religioso e apolítico.
Em março de 1964, Malcolm X rompeu com o movimento e organizou a Muslim Mosque Inc., e mais tarde a "Afro-American Unity", organização não religiosa. Numa viagem a Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, em 1963, mudou o nome para Al Hajj Malik Al-Shabazz. Seu rompimento com a "Nação do Islã" e sua entrementes posição conciliatória em relação aos brancos lhe trouxeram um certo isolamento.
No dia 21 de fevereiro de 1965, aos 39 anos, ele foi morto com 13 tiros quando discursava no Harlem. Jamais foram encontradas provas, mas suspeitou-se do envolvimento da "Nação do Islã" no assassinato.
Suas ideias foram muito divulgadas na década de 1970 por movimentos como o Black Power e as Panteras Negras. Sua vida e obra também estão documentadas em vários filmes, sendo o mais famoso deles Malcolm X, dirigido por Spike Lee, de 1992.
www.arquivo.geledes.org.br
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Antropólogo derruba a ideia de que no Brasil há democracia racial
Por: Thiago de Araújo, BrasilPost
Postagem: 10:00 09/02/2016
O professor Kabengele Munanga (divulgação)
Doutor em Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) reforça que o Brasil possui um quadro ‘gritante’ de discriminação. Acha exagero? Não é o que mostram os números. Professor se aprofunda na crença de setores da sociedade brasileira de que ‘não existe racismo’ por aqui e de que tudo não passa de ‘vitimização’
Ainda hoje há, no Brasil, quem negue a existência do racismo. Discussões sobre questões raciais não surpreendem o antropólogo congolês Kabengele Munanga. Aos 73 anos, o doutor em Ciências Sociais e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) sempre reforça que o Brasil possui um quadro ‘gritante’ de discriminação. Acha exagero? Não é o que mostram os números.
“Os dados mostram que, à véspera do Apartheid, a África do Sul tinha mais negros com diploma de nível superior do que no Brasil de hoje”, afirmou Munanga, em audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2010. O debate girava em torno das políticas de acesso ao ensino superior. Os opositores anunciavam que o País estava prestes a viver uma ‘guerra racial’. Não foi o que se viu.
“Não houve distúrbios, linchamentos raciais em nenhum lugar. Não apareceu nenhum movimento ‘Ku Klux Klan’ à brasileira”, comentou o antropólogo. “O que se busca pela política de cotas para negros e indígenas não é para terem direito às migalhas, mas sim para terem acesso ao topo em todos os setores de responsabilidade e de comando na vida nacional onde esses dois segmentos não são devidamente representados, como manda a verdadeira democracia”.
Mas e a tão conhecida ‘democracia racial’, nascida pelas mãos de Gilberto Freyre? Antes de mais nada, é preciso compreender do que se trata o preconceito. O professor Munanga assim define o termo:
“Preconceito como o próprio termo diga preconceito é uma ideia preconcebida, um julgamento preconcebido sobre os outros, os diferentes, sobre o qual nós mantemos um bom conhecimento. E o preconceito é um dado praticamente universal, pois todas as culturas produzem preconceito. Não há uma sociedade que não se define em relação aos outros. E nessa definição acabamos nos colocando em uma situação etnocêntrica, achando que somos o centro do mundo, a nossa cultura é a melhor, a nossa visão do mundo é melhor, a nossa religião é a melhor, e acabamos julgando os outros de uma maneira negativa, preconcebida, sem um conhecimento objetivo. Isso é o preconceito, cuja matéria prima são as diferenças, sejam elas de cultura, de religião, de etnia, de raça no sentido sociológico da palavra, de gênero, até de idade, as econômicas. Todas as diferenças podem gerar preconceitos”.
Na mesma entrevista, concedida à Boa Vontade TV, o congolês se aprofundou na crença de setores da sociedade brasileira de que ‘não existe racismo’ por aqui. De que tudo não passa de ‘vitimização’. Nada disso é surpreendente, de acordo com ele.
“Cada país que pratica o racismo tem suas características. As características do racismo brasileiro são diferentes. Por que o brasileiro não se considera racista ou preconceituoso em termos de raça? Porque o brasileiro não se olha no seu espelho, nas características do seu preconceito racial. Ele se olha no espelho do sul-africano, do americano, e se vê: ‘olha, eles são racistas, eles criaram leis segregacionistas. Nós não criamos leis, não somos racistas’. Tem mais: tem o mito da democracia racial, que diz que não somos racistas”.
Nem mesmo pessoa flagrada em um ato de racismo vai admitir. E isso é esperado, pelo menos no Brasil.
“Esse mito (da democracia racial) já faz parte da educação do brasileiro. E esse mito, apesar de desmistificado pela ciência, a inércia desse mito ainda é forte e qualquer brasileiro se vê através desse mito. Se você pegar um brasileiro até em flagrante em um comportamento racista e preconceituoso, ele nega. É capaz dele dizer que o problema está na cabeça da vítima que é complexada, e ele não é racista. Isso tem a ver com as características históricas que o nosso racismo assumiu, um racismo que se constrói pela negação do próprio racismo”.
Recentemente, foi acalorada a discussão a respeito da Base Nacional Comum Curricular (BNC) gerou muita discussão – e críticas –, sobretudo no que diz respeito ao ensino da história, que passaria a privilegiar temas envolvendo Brasil, Américas e África, em detrimento à Antiguidade Clássica e à Idade Média. Mais uma vez, o movimento parece esperado, de acordo com o que Munanga pensa acerca da presença africana e negra no contexto nacional.
“O brasileiro gostaria de ser considerado como europeu, como ocidental. Isso está claro no sistema de educação. Nosso modelo de educação é uma educação eurocêntrica. A escola é o lugar onde se forma o cidadão, onde se ensina uma profissão. Há escolas que sabem lidar com os dois lados da educação: ensinar a cidadania e a profissão. A história que é ensinada é a história da Europa, dos gregos e dos romanos. No entanto, quem são os brasileiros? Os brasileiros não só descendentes de gregos e romanos, de anglo-saxões e de europeus. São descendentes de africanos também, de índios, e descendentes de árabes, de judeus e até de ciganos. E se olharmos o nosso sistema de educação, onde estão esses outros povos que formaram o Brasil? Então, há um problema no Brasil, além de essas pessoas serem as maiores vítimas da discriminação social, no sistema de educação formal elas não se encontram, elas são simplesmente ocidentalizadas, são simplesmente embranquecidas.
Se colocarmos as questões: “quem somos, de onde viemos e por onde vamos?”, vamos ver que o Brasil nasceu do encontro das culturas, das civilizações, dos povos indígenas, africanos que foram deportados e dos próprios imigrantes europeus de várias origens. Comemoramos os cem anos da imigração japonesa, e fala-se mais dos cem anos da imigração japonesa do que dos 600 anos da abolição. Não tenho nada contra isso, mas fala-se muito pouco da abolição. Então, se queremos saber quem somos, devemos conhecer todas as nossas raízes, aqueles povos que formaram o Brasil, alguns dizem que somos um país mestiço, mas essa mestiçagem não caiu do céu. Já que não queremos reconhecer a diversidade das coisas, suponhamos que sejamos todos mestiços, vamos pelo menos estudar as raízes da nossa mestiçagem, isso faz parte da nossa cultura. Mas o brasileiro não se incomoda, o brasileiro quer se ver como europeu ocidental, parece que o brasileiro não se enxerga”.
Há avanços, mas o caminho é longo para que a diversidade prevaleça, assim como a igualdade de oportunidades no Brasil. Para o professor da USP, cada preconceito demanda o seu próprio antídoto. No caso do racismo, é ilusório esperar que ele venha pelo caminho das leis. Não, o campo de combate está sediado na sala de aula, desconstruindo mitos até mesmo para quem é vítima neste processo e aceita tal condição.
“Preconceitos são muitos, por isso você não pode ter uma formula geral para combater todos os preconceitos. Em primeiro lugar, você não se combate com a lei, que combate os comportamentos concretos que podem ser observados, flagrados e punidos. Os preconceitos são em um terreno em que você não combate com a leis, por isso a educação é importante. A educação é um dos caminhos para combater os preconceitos, não as leis”.
Leia também:
Omissões da imprensa reforçam o mito da democracia racial
Mito da democracia racial só fez mal ao negro no Brasil
Fonte: Pragmatismo Político
Categorias: Direitos Humanos
Tags: #MitodaDemocraciaRacial #KabengeleMunanga #Racismo #Preconceito#Discriminação #CEERT
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Grande vitória: Proibido casamento com meninas crianças no Zimbábue
POSTED ON: 29 DE JANEIRO DE 2016AUTHORANA VICTORAZZICIDADANIA
O Tribunal Constitucional do Zimbábue proibiu o casamento infantil na quarta-feira depois de duas ex-noivas-crianças levarem ao governo um caso inovador para contestar a prática que é comum na nação sul Africana.
Loveness Mudzuru e Ruvimbo Tsopodzi pediram para o casamento com crianças ser declarada ilegal e inconstitucional, afirmando que é uma forma de abuso infantil.
O tribunal decidiu que a partir de 20 de janeiro ninguém no Zimbabwe pode entrar em qualquer casamento, incluindo sindicatos da lei costumeira, antes da idade de 18 anos, e derrubou uma seção do Ato do Casamento, que permite que as meninas se casem aos 16 anos.
Quase um terço das meninas no Zimbabwe casam antes dos 18 anos e 4% antes de completar 15 anos, privando-as de uma educação, aumentando a probabilidade de violência sexual e colocando-as em risco de ferimentos graves ou morte no parto.
“Eu realmente estou feliz em ter desempenhado um papel fundamental para tornar o Zimbábue um lugar seguro para as meninas”, disse Mudzuru, que se casou aos 16 anos e teve dois filhos antes dos 18 anos.
A decisão delineou as “consequências terríveis” de casamento infantil e disse que é uma “falta de consciência social comum” sobre os problemas enfrentados por meninas que se casam cedo.
Beatrice Savadye, que dirige o ROOTS, grupo de direitos que apoiaram o desafio legal, disse: “Estou muito feliz. Este é um marco na campanha para acabar com este flagelo na sociedade”.
Mas ela disse que mais precisa ser feito ainda para educar as comunidades sobre os perigos do casamento de crianças. Ela também pediu penas mais duras para qualquer um condenado por se casar com uma menor.
Em declarações ao Tribunal Constitucional no ano passado, Tsopodzi e Mudzuru disseram que o ato da união do Zimbábue era discriminatório por definir a idade mínima de 16 para meninas e 18 para meninos. A Lei do Casamento consuetudinário não estabelece idade mínima.
A pobreza é a força motriz por trás do casamento de crianças no Zimbábue. Os pais muitas vezes casam as meninas jovens, então eles têm menos bocas para alimentar. Pagamentos dote podem ser mais um incentivo.
Em seu depoimento, Mudzuru descreve como o casamento infantil e a pobreza criam um círculo vicioso. “As meninas que se casam cedo e frequentemente de famílias pobres são forçados a produzir filhos mais novos em um mar de pobreza e o ciclo começa novamente”, afirmou.
Mudzuru disse a Thomson Reuters Foundation no ano passado que sua vida era um “inferno”.
“Educar uma criança quando você é uma criança é difícil”, disse ela. “Eu deveria estar indo para a escola.”
Globalmente, cerca de 15 milhões de meninas são casadas a cada ano. Em toda a África subsaariana, dois em cada cinco meninas casam quando crianças.
Fonte: Huffington Post
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
UM ANO DO ASSASSINATO DE ALDAIR DA SILVA
HOJE COMPLETA UM ANO DO ASSASSINATO DO ALDAIR EM CAXIAS DO SUL, DEVIDO A UM DESENTENDIMENTO COM UM JOVEM BRANCO NUM JOGO DE FUTEBOL.O PAI DO RAPAZ ENFURECIDO FOI EM CASA BUSCAR A ARMA E ASSASSINOU A SANGUE FRIO, O NEGRO QUE NÃO PODERIA TER DISCUTIDO COM SEU FILHO BRANCO. HOJE, A FAMÍLIA SOFRE, SENTE A DOR DA SAUDADE. O ASSASSINO ESTÁ SOLTO, COM CERTEZA AO LADO DO SEU FILHO. A MÃE DO ALDAIR NÃO PODERÁ MAIS VÊ-LO OU ESTAR A SEU LADO, GRAÇAS AO GESTO DE ALGUÉM QUE PENSOU APENAS NA DIFERENÇA DA COR DA PELE PARA ASSASSINAR ALDAIR. DEVEMOS COMBATER O GENOCÍDIO DOS JOVENS NEGROS, E COBRAR DAS AUTORIDADES,JUSTIÇA E PUNIÇÃO AO ASSASSINO. ATÉ QUANDO A JUVENTUDE NEGRA CONTINUARÁ SENDO ASSASSINADA E OS RESPONSÁVEIS SEM PUNIÇÃO? O BRASIL TEM QUE MUDAR! ESSA REALIDADE NÃO PODE MAIS CONTINUAR. JUSTIÇA!
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